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Escola ABA em Almada (Público 17/9/08)

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Técnica americana vai ser usada no final do mês numa escola perto de Almada Método para crianças autistas com taxa de êxito de 40 por cento aplicado em Portugal 17.09.2008 - 17h52 Lusa
Duas em cada cinco crianças autistas podem ultrapassar, em parte, esse
diagnóstico através de um método norte-americano de Análise Comportamental
Aplicada, que será utilizado a partir do final do mês numa escola perto de
Almada, em Sobreda da Caparica.

Partindo da sua experiência de pai à procura de respostas, Carlos França
conheceu no Natal de 2007 a escola ABC Real, localizada em Sacramento,
Califórnia, nos Estados Unidos, e quase sete meses depois vê um desejo
concretizado: aplicar em Portugal o método ABA (Applied Behaviour Analysis).

"No início do diagnóstico do meu filho houve um período de desorientação e
procura de informação para descobrir algo. Nos Estados Unidos disseram-me
que a altura ideal para uma intervenção teria sido entre os dois anos e meio
e os quatro", contou Carlos França.

Mesmo ultrapassada a "época de ouro", já que o filho tinha nove anos e
sabendo que não iria aproveitar os resultados do método a 100 por cento,
este pai percebeu que poderia beneficiar outras crianças portuguesas e
decidiu fundar uma escola para autistas e doentes com síndroma de Asperger.

A factura de mil euros mensais afastou alguns interessados mas, ainda assim,
Carlos França reforça que este custo fica muito aquém do valor real: a
escola norte-americana não cobrou pelos seus serviços fora da Califórnia e o
Colégio Campo de Flores, onde funcionará a escola, cedeu gratuitamente uma
sala.

No futuro os impulsionadores nacionais do ABA querem fazer crescer a
experiência-piloto e angariar apoios, de maneira a conseguir também diminuir
os encargos dos pais.

A primeira escola de ABA na Europa Continental vai juntar dez famílias,
oriundas de vários pontos do país, tendo uma delas trocado Coimbra pela
Sobreda da Caparica.

"Foi só com a boa vontade dos pais que foi possível trazer este método para
Portugal, mas isso é também o mais importante, porque o Estado é lento a
auxiliar", reforçou o presidente da escola 'mãe' ABC Real, Joseph E. Morrow.

O ABA passa por integrar habitualmente crianças durante dois anos, mas o
tempo de intervenção depende da gravidade dos problemas que afectam cada uma
delas. Comum é o trabalho intenso de 25 a 40 horas semanais de um técnico
para cada criança, que pode levar a "resultados espectaculares" e fazer com
que 40 por cento das crianças deixem de ter características autistas,
segundo o norte-americano.

Todas as crianças autistas têm problemas de comunicação e metade não
verbaliza. Por isso, o método ABA começa por ensinar os mais novos a pedirem
aquilo que querem e necessitam, de forma a conseguir mais tarde integrá-los
no ensino regular.

Aos pais, Joseph E. Morrow aconselha a estarem atentos a défices na
comunicação, a perceberem se os filhos apontam para o que querem e se os
olham nos olhos, porque caso contrário poderão ter problemas de autismo.

"As crianças parecem ser surdas por não darem atenção", acrescentou o
norte-americano, referindo ainda que os pediatras não devem desvalorizar
alguns sinais e dizer apenas que os problemas serão ultrapassados. "Costuma
lembrar-se que o Einstein começou a falar aos quatro anos. Mas nos Estados
Unidos, tal como em Portugal, há o ditado: 'mais vale prevenir que
remediar'", concluiu.
Última modificação 2008-09-18 09:33
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