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O que é o Autismo?
Critérios de Diagnóstico do Autismo
Etiologia, diagnóstico diferencial e prevalência
Quais os sinais do autismo?
Quais as Manifestações mais Comuns?

O que é o Autismo?

O Autismo é uma perturbação do desenvolvimento global da criança, caracterizada pela presença simultânea de uma tríade de perturbações (tríade de Wing):

Défice na interacção social;
Défice da comunicação;
Défice da imaginação/capacidade simbólica (comportamentos, interesses e actividades repetitivas e estereotipias).

Apesar deste tronco comum de dificuldades, estas expressam-se em cada criança de forma diversa, tornando-se necessária uma observação cuidada para identificar as suas necessidades individuais, assim como áreas fortes. A forma e a intensidade com que cada uma destas áreas de dificuldade se expressam, resultam numa imensa variabilidade dentro do diagnóstico das Perturbações do Espectro do Autismo (PEA).

O Autismo manifesta-se precocemente, sendo possível, na maioria dos casos, estabelecer um diagnóstico entre os 18 e os 36 meses.
Um diagnóstico precoce e uma intervenção adequada são fundamentais para que se consiga um desenvolvimento mais harmonioso das crianças com autismo.

Critérios de Diagnóstico do Autismo

DSM – IV – Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais

A) Um total de 6 (ou mais ítens) de (1), (2) e (3), com pelo menos dois de (1), um de (2) e um de (3):

(1) Défice qualitativo na interacção social, manifestado por pelo menos dois dos seguintes aspectos:

a) défice acentuado no uso de múltiplos comportamentos não verbais, tais como contacto visual directo, expressão facial, posturas corporais e gestos para regular a interacção social;

b) fracasso em resolver relacionamentos com os seus pares apropriados ao nível de desenvolvimento;

c) falta de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas (p.ex. não mostrar, trazer ou apontar objectos de interesse);

d) falta de reciprocidade social ou emocional.

(2) Défices qualitativos na comunicação, manifestados por pelo menos um dos seguintes aspectos:

a) atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem falada (não acompanhado por uma tentativa de compensar através de modos alternativos de comunicação, tais como gestos ou mímica);

b) em indivíduos com fala adequada, acentuado défice na capacidade de iniciar ou  manter uma conversação;

c) uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou linguagem idiossincrática;

d) falta de jogos ou brincadeiras de imitação social variados e espontâneos apropriados ao nível de desenvolvimento;

(3) Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesse e atividades, manifestados por pelo menos um dos seguintes aspectos:

a) preocupação insistente com um ou mais padrões esteriotipados e restritos de interesse, anormais em intensidade e foco;

b) adesão aparentemente inflexível a rotinas ou rituais específicos e não funcionais;

c) maneirosmos motores esteriotipados e repetitivos (p.ex., agitar ou torcer mãos ou dedos, ou movimentos complexos de todo o corpo);

d) preocupação persistente com partes do corpo.
(B) Atrasos ou funcionamento anormal em pelo menos uma das seguintes áreas, com início antes dos 3 anos de idade: (1) interacção social, (2) linguagem para fins de comunicação social, ou (3) jogos imaginativos ou simbólicos.

(C) A perturbação não é melhor explicada por Transtorno de Rett ou Transtorno Desintegrativo da Infância
CID 10 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde

F84.0 Autismo Infantil

Perturbação global do desenvolvimento caracterizada por a) um desenvolvimento anormal ou alterado manifestado antes da idade de três anos, e b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo.

Além disso, a perturbação é acompanhada comumente de numerosas outras manifestações inespecíficas, por exemplo fobias, perturbações do sono ou da alimentação, crises de birra e agressividade (auto agressividade).

Inclui: Autismo infantil, Psicose infantil, Síndrome de Kanner, transtorno autístico,

Exclui: Psicopatia autista (F84.5)

F84.1 Autismo Atípico

Perturbação global do desenvolvimento, ocorrendo após a idade de três anos  ou que não respode a todos os três critérios diagnósticos do autismo infantil.

Esta categoria deve ser utilizada para classificar um desenvolvimento anormal ou alterado, aparecendo após a idade de três anos, e não apresentando manifestações patológicas suficientes em um dos três domínios psicopatológicos (interacções sociais reciprocas, comunicação, comportamentos limitados, esteriotipados ou repetitivos) implicados no autismo infantil; existem sempre anomalias características num ou em vários destes domínios.

O autismo atípico ocorre habitualmente em crianças que apresentam um atraso mental profundo ou uma perturbação específica grave do desenvolvimento da linguagem do tipo receptivo.

Inclui: Psicose infantil atípica, atraso mental com características autísticas.

Usar código adicional (F70-F79), se necessário, para identificar o atraso mental.

Etiologia, diagnóstico diferencial e prevalência

Desconhecem-se as causas que conduzem ao autismo. No entanto, e apesar de diversas teorias que colocam hipóteses explicatvas, há um consenso generalizado na comunidade cisentífica de que se trata de uma perturbação neurodesenvolvimental em que haverá uma predisposição ou determinação genética associada.

Diagnóstico diferencial

De acordo com a APA (Associação Americana de Psicologia, 2002), o diagnóstico diferencial de Perturbações Autísticas (DSM – IV) deve-se estabelecer com as seguintes perturbações:

Perturbação de Rett
Perturbação Desintegrativa da Segunda Infância
Perturbação de Asperger
Esquizofenia
Mutismo Selectivo
Perturbação da Linguagem Expressiva
Deficiência Mental
Perturbação dos Movimentos Esteriotipados.

Prevalência  

Os últimos dados relativos à prevalência a nível Internacional apontam para que 5 em cada 10.000 indivíduis apresente “autismo clássico” e que os valores se elevam a 1 a 2 por 1.000 quando o diagnóstico alargado, ou seja, quenso se consideram todas as “Perturbações do Espectro Autista” (PEA).

Os últimos dados dos Estados Unidos apontam para 1 em cada 150 para as PEA

É de realçar que o autismo, bem como as PEA, são mais frequentes no sexo masculino do que feminino, numa razão de 5:1

Quais os sinais do autismo?

Um diagnóstico seguro de Autismo é geralmente feito pelos 3 anos de idade. Aos 18 meses é já possível detectar nestas crianças um conjunto de características, cuja presença é um indicador bastante seguro de perturbação autística.
Sinais de Alarme
(A pesquisar na avaliação da criança aos 18 meses)
Isolamento – falta de interesse pela relação com os outros;
Ausência de jogos de imitação – dizer adeus; jogo do cu-cu …
Ausência do jogo do faz de conta – o brinquedo não é usado na sua função simbólica;
Ausência da atenção partilhada – não chama a atenção do outro para objectos ou acontecimentos, não mostra dói-doi e nem vai mostrar um brinquedo;
Ausência de apontar protodeclarativo – não usa o dedo para apontar no sentido de partilhar interesse/mostrar alguma coisa;
Apontar protoimperativo – usar o dedo para apontar mas com o objectivo de pedir/exigir algo. Pode estar presente.

Sinais inespecíficos mas preocupantes
(Podem estar presentes desde o nascimento)

Até aos 18 meses:

Por vezes podem ocorrer:
Alterações alimentares (dificuldades de sucção, recusa do seio/biberão, anorexia e vómitos);
Alterações do sono (insónia);
Choro persistente (“bebé terrível”) ou ausência de choro (“bebé modelo”, especialmente se deixados sós);
Apatia (indiferença ao que rodeia);
Ausência de comportamentos de ligação:
Contacto visual (não comunicam pelo olhar – olhar fugidio e evitamento do olhar)
Não manifesta desejo de ser pegado ao colo (estender os braços e sorrir)
Não responde com um sorriso do outro;
Perturbações do tonus (é difícil pegar nestes bebés são rígidos ou moles, não se moldam ao corpo);
Não manifestam medo de estranhos (como acontece geralmente com bebés sem problemas pelos 6-8 meses);
Vocalizações muito pobres ou inexistentes;
Respostas inconsistentes aos sons (surdez aparente);
Movimentos estereotipados (balanceio do corpo, abanar a cabeça, posições bizarras não usuais noutras crianças);
Estes bebés parecem mais satisfeitos se deixados sós e mantendo o ambiente inalterado

Cada pessoa com Autismo tem a sua própria personalidade, sendo um individuo único.
As pessoas com autismo não constituem necessariamente um estereótipo, podendo revelarem-se muito diferentes umas das outras.

Quais as Manifestações mais Comuns?

Isolamento
Ausência/alterações ao nível da linguagem
Evitamento do contacto visual
Desinteresse pelas pessoas e/ou jogos (brincar)
Medos pouco usuais
Uso inadequado de objectos
Resistência a aprendizagem
Girar obsessivamente objectos
Riso ou choro sem motivo aparente
Ausência da consciência do perigo
Inconsistência nas respostas aos sons
Ligação obsessiva a objectos
Rejeição do contacto físico
Resistência à mudança
Comportamentos e actividades repetitivas e estereotipadas

Isolamento
Crianças com autismo manifestam um aparente alheamento relativamente ao meio, não mostrando interesse no contacto com outras pessoas.
Não interage com outras crianças ou adultos, mas quando interagem fazem-no de forma inadequada.
Ausência/alterações ao nível da linguagem

Cerca de 50% das pessoas com autismo não desenvolvem a linguagem (às vezes este é o primeiro sinal de alarme para os pais).

Os que têm linguagem apresentam alterações significativas, nomeadamente dificuldade ou incapacidade de usar a linguagem na comunicação com o outro. Dificuldade ou incapacidade de falar na primeira pessoa (não dizem o “eu”, referem-se a si próprios na segunda ou terceira pessoa). Respondem repetindo a pergunta ou parte dela (ecolalia). Alterações no tom e ritmo do discurso. Dificuldades na compreensão da linguagem, interpretação no sentido literal, dificuldade em “apanhar o segundo sentido”, p.ex., um comentário do tipo “o ar hoje está pesado” é entendido no sentido literal, ou seja a criança entendeu que o ar pesa – Quilogramas.
Evitamento do contacto visual

Normalmente não estabelece contacto visual directo (olhos nos olhos) com as pessoas e/ou actividades do momento (p.ex., quando pintam não olham para o papel), dependendo mais do olhar periférico “pelo canto do olho”. Por vezes olham o outro mas aparentemente sem o ver (como se fosse Transparente).
Desinteresse pelas pessoas e/ou jogos

Crianças com autismo não têm capacidade espontânea para iniciar um jogo com significado que envolva a imaginação – jogo simbólico, faz de conta. Tendem a envolver-se em actividades repetitivas não interagindo com as outras crianças ou adultos, p.ex., preferem atirar uma bola contra a parede do que para outra pessoa. Preferem brincar sozinhas.
Medos pouco usuais

Crianças com autismo respondem aos estímulos sensoriais (visão, olfacto, tacto, paladar e audição) de maneira pouco previsível, p.ex., estímulos visuais com cores brilhantes podem fascinar algumas e provocar ansiedade ou medo irracional noutros. Estas crianças têm dificuldade em regular os estímulos sensoriais.
Uso inadequado de objectos

Crianças com autismo parecem fascinadas por partes de brinquedos, como as rodas de um carro, não mostrando interesse pelo brinquedo em si.

Com frequência desenvolvem uma ligação obsessiva com determinados objectos, podendo a perda destes causar um estado de grandes ansiedade e excitação.
Resistência a aprendizagem

Crianças com autismo têm grandes défices na área da comunicação, isto é dificuldades em compreender tanto as instruções verbais como não verbais, (gestos, mímica, expressões faciais, etc.)

Parecem mostrar pouco interesse e rejeitar as tentativas de aprendizagem, especialmente quando não há uma recompensa imediata.
Girar obsessivamente objectos

Objectos redondos e susceptíveis de poderem rodar produzem uma enorme atracção, p.ex., colocam um carro de perna para o ar e fazem rodar incessantemente as rodas.
Riso ou choro sem motivo aparente

Crianças com autismo podem rir, chorar ou gritar em situações inapropriadas e sem motivo aparente, p.ex., riem-se quando alguém grita ou ficam com medo quando alguém ri.

Em algumas crianças estas atitudes desajustadas prolongam-se criando situações de grande ansiedade, tanto para elas como para os pais.
Ausência da consciência do perigo

Ausência de receio de perigos reais e medo irracional de situações comuns. Isto poderá ser consequência da falta de compreensão das situações ou seja, não estabelecem a correlação entre causa e efeito.
Inconsistência nas respostas aos sons

Crianças com autismo podem ignorar sons altos e reagir a um murmúrio ou ao roçar das folhas de papel.

Em muitas circunstâncias poderá parecer que têm problemas de audição (surge então a hipótese da surdez).
Ligação obsessiva a objectos

Muitas crianças com autismo estabelecem ligações bizarras a certos objectos ou a partes de objectos, como pedras, peças de brinquedos, etc. Poderão ficar fascinados por objectos que produzam som (copos, campainhas, …). Os objectos são muitas vezes seleccionados por uma característica particular (cor, textura e forma) e são transportados para toda a parte. Ficam tensas ou mesmo em pânico se alguém pretende tirar-lhos.
Rejeição do contacto físico

Muitas crianças com autismo podem resistir ou mostrar desagrado a serem pegadas ou tocadas. Não é raro os pais dizerem “ele estava tão feliz quando estava sozinho, mas começou a gritar e a chorar quando o peguei ao colo”. Muitas crianças não exibem movimentos de antecipação para serem pegadas ao colo, adoptando a 2postura de boneco”. Com frequência, mesmo em situações geradoras de stress, não procuram o necessário conforto, ajuda ou segurança junto de adultos ou de outras crianças. A sua capacidade em mostrar empatia é invariavelmente deficiente, traduz-se numa perturbação da interacção social e dificuldades no estabelecimento de relações de amizade.
Resistência à mudança

Com muita frequência estas crianças aderem de forma inflexível a determinadas rotinas, geralmente não funcionais, e que assumem uma forma doentia, p.ex. quando vão para a escola têm de ir sempre pelo mesmo caminho e para se vestirem têm de seguir uma determinada sequência.

Há uma intolerância às mudanças de ambiente (pequenas mudanças verificadas no quarto poderão produzir uma grande irritabilidade).

As crianças com autismo sentem-se mais seguras e confortáveis em ambientes estruturados e previsíveis. Qualquer alteração ou desvio à rotina não planeada podem causar ansiedade e conduzir a comportamentos bizarros ou a um estado de extremo stress.
Comportamentos e actividades repetitivas e estereotipadas

Tendência a manterem-se em actividades repetitivas, estereotipadas e rotineiras. Podem tratar-se de rotinas simples ou extremamente complexas, p.ex., bater em superfícies, balancear, cheirar pessoas e coisas, abanar os braços, torcer os dedos, com os braços flectidos fazer batimentos repetitivos das mãos, coleccionar os mais diversos objectos/partes de objectos/lixos, alinhar objectos, etc.