QUANTA HORAS TE DIA  AGORA?

Escrito por Janine Martins
Ilustrado por Rita Couto

 

Quando pensamos na possibilidade de um novo confinamento, o nosso coração gela…
Quando somos confrontados com uma quarentena de 15 dias, entramos em pânico…
Tudo isto são novos e grandes desafios para as Famílias de crianças com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Dá a sensação de que os dias aumentaram e a casa diminuiu!


MAS, e se usarmos as atividades do dia-a-dia como “Guia” para organizar as novas rotinas de uma criança com PEA, que de repente se vê fechada em casa?
Todos nós sabemos como as rotinas e a previsibilidade dos dias são cruciais para o bem- estar de uma criança com PEA. Aquelas tarefas que nos deixam loucos, porque temos de fazer todos os dias e são sempre iguais (essas mesmas!), são uma bênção para uma pessoa com PEA. Falo das tarefas domésticas (arrumar, limpar, cozinhar, etc.), assim como das Atividades de Vida Diária (tomar banho, vestir, lavar dentes, etc.). Fazem parte do nosso quotidiano e são um excelente recurso de intervenção:


• Têm horas certas para serem feitas: dando estrutura ao dia que se avizinha;
• Seguem a mesma sequência: tornam-se previsíveis ao fim de algum tempo;
• São atividades concretas: facilmente transformadas em listas de tarefas visuais.

Por serem rotineiras e previsíveis, tornam-se apelativas aos olhos de uma pessoa com PEA –
pois diminuem os seus níveis de ansiedade…

Ao diminuir a ansiedade, aumenta a atenção dedicada à tarefa, fazendo-a cada vez melhor…

Isto faz com que aumente a autoestima, que consequentemente aumenta a predisposição e disponibilidade para a realização da atividade…
Aos poucos, cresce a vontade de fazer mais e melhor e cresce também a autonomia nas atividades diárias!


PORTANTO, não se trata, apenas de “ocupar o dia”, mas sim de criar oportunidades para que se desenvolvam: a nível motor, a nível cognitivo e a nível
emocional.
Não é exatamente isso que queremos?

 

Antes de dar alguma ajuda, tente deixá-lo fazer sozinho: experimente!

Se for mesmo necessário ajudar, pode recorrer aos seguintes “níveis de apoio” – começando por usar suportes visuais para melhorar a organização e sequenciação da tarefa, acrescentando alguma indicação verbal e/ou pista táctil se for mesmo necessário. Nas situações em que a atividade seja mesmo muito exigente, pode dar uma ajuda mais intensiva, moldando os movimentos que são necessários fazer através de ajuda física.
• Suportes visuais: na verdade, os suportes visuais ajudam sempre não é? É sempre mais fácil ver numa imagem aquilo que nos estão a pedir – ajuda a perceber melhor a mensagem e a não esquecer! Porque não colocar os suportes visuais num sítio bem visível? Assim conseguem consultá-los quando se sentirem ansiosos com a atividade, quando se esquecerem de alguma coisa, ou melhor ainda: para verem quanto falta para acabar… e como estão a cumprir tão bem aquilo que lhe pediram para fazer!
• Ajuda verbal: usar frases curtas, simples e concretas (ex.: pega no lençol; põe o brinquedo na cesta; passa o pano na mesa; varre o lixo para o apanhador, etc.)
• Pista táctil: os pais podem, por exemplo, tocar na ponta do lençol em que tem de pegar e depois tocar no sítio para onde o deve levar; podem tocar no brinquedo que tem de arrumar e depois tocar no sítio para onde o deve levar; podem dar o pano do pó e tocar no sítio onde tem de limpar; podem dar a vassoura e tocar no sítio onde tem de varrer e, alternadamente, tocar no sítio para onde deve varrer o lixo…
• Ajuda física: os pais podem, por exemplo, pegar na mão e ajudar a puxar os lençóis da cama; pegar nos brinquedos que tem de arrumar e colocar na mão – levando até ao sítio onde têm de ficar; colocar o pano do pó na mão e orientar os movimentos a executar; dar a vassoura para as mãos e demonstrar os movimentos que tem de fazer e para onde, etc.

Quando falamos em PEA, abarcamos um conjunto de “perfis de funcionalidade” muito amplo e variado. Isso significa que cada caso é um caso, podendo haver mais ou menos dificuldade na implementação e execução das atividades que foram aqui sugeridas. No entanto, sendo todas elas atividades diárias e que visam trabalhar e promover a autonomia, o facto de se insistir neste tipo de atividades não será com toda a certeza uma “perda de tempo”.
Com mais ou menos ajuda, com mais ou menos apoio, levando mais ou menos tempo, servindo apenas para organizar o dia-a-dia ou trabalhando de forma mais intensiva dificuldades de autonomia… todos retirarão alguma vantagem deste tipo de organização diária (com os devidos ajustes individuais que cada um terá de fazer).
Despeço-me com um forte abraço a todas as Famílias!

 

"União para a Inclusão"

COMEMORAÇÃO 35 ANOS APPDA-NORTE

 

3 DE OUTUBRO 2019

AUDITÓRIO MUNICIPAL DE VILA NOVA DE GAIA

 

INSCRIÇÕES EM:

https://forms.gle/zVonGuAERborkpSz8

PROGRAMA:

DESCARREGAR PANFLETO

DESCARREGAR CARTAZ 

Porto, Portugal, 2 de Abril de 2020

Dia Mundial de Consciencialização Autismo

PANDEMIA Por COVID 19 e AUTISMO um DESAFIO ACRESCIDO

Vivemos uma situação excecional e para o qual ninguém estava preparado.

Em 19/3/200, ou seja, há 2 semanas foi declarado o Estado de Emergência Nacional pelo Sr. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa como necessário para enfrentarmos esta situação de crise resultante da Pandemia por COVID 19.

Foram então tomadas um conjunto de medidas que envolveram a necessidade de definir serviços mínimos essenciais ao funcionamento do nosso país enquanto se tenta prevenir uma propagação descontrolada da doença, proteger os mais vulneráveis e garantir o melhor tratamento possível dos doentes.

Todos nos sentimos frágeis, vulneráveis, assustados face a esta ameaça que sentimos colocar em risco a nossa vida e a vida dos que mais amamos. É natural e saudável sentir medo mas não podemos deixar-nos paralisar pelo medo, temos que manter-nos solidários, temos de manter-nos HUMANOS.

Fecharam-se as Escolas, os Centros de Dia e os Centros de Atividades Ocupacionais e foram dadas orientações no sentido de ensaiarmos o ensino à distância e implementarmos o teletrabalho.

As estruturas residenciais de apoio às pessoas mais velhas e a portadores de deficiência mantêm-se em funcionamento e são acionados planos de contingência que vão sendo atualizados por forma a garantir o funcionamento das instituições da forma mais segura possível para utentes e profissionais e com um máximo de controlo de risco.

Tudo isto é novo, de evolução rápida, e tudo isto implica uma necessidade constante de adaptação. Temos que adaptar-nos a uma realidade em mudança, de desenvolver novos hábitos e criar novas rotinas.

É difícil para todos mas muito em especial para as pessoas com autismo que pelas próprias características do seu estilo de funcionamento tantas dificuldades têm em adaptar-se à mudança e nomeadamente à mudança de rotinas.

É difícil para todas as Famílias sujeitas agora a novas formas de relacionamento e de convívio, marcadas ora por uma proximidade excessiva ora pela restrição dos contactos e até necessidades de isolamento. Também aqui as famílias das pessoas com autismo enfrentam desafios acrescidos.

Certamente iremos ter que descobrir novas formas de apoio e de interajuda.

Para enfrentarmos mais este desafio apelo às pessoas com autismo, às suas famílias, aos profissionais e a todos os que entenderem ajudar

Sejamos criativos, sejamos solidários

FIQUEM BEM

Paula Pinto de Freitas

Diretora Técnica Geral da APPDA-Norte

 

Descarregue um PDF com actividades que pode realizar em casa, durante o confinamento

 

 

 

 

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